1 de dez de 2010

Actividade nº 139: Memória de rios e de lagos marajoaras nas vozes da historia

Descripción: A leitura do romance Marajó (1947), do escritor Dalcídio Jurandir,representa o ponto de partida desta pesquisa uma vez que, no âmbito daFICÇÃO, há uma reconstrução de parte da memória histórica dos rios edos lagos do arquipélago do Marajó (Ilha do Marajó), principalmente noque diz respeito à atuação dos fazendeiros contra o povo da Ilha.  Noplano literário, conta o narrador do romance: “O povo foi proibido depegar peixe no rio Abaí, que atravessa as terras do Dr. Manuel Coutinho.

O administrador mandou dois vigias na boca e no meio do rio contra quem seatreva a pescar. [...] Que os peixes apodrecessem, a ordem era para que osvigias atirassem com seus rifles se vissem o povo pescar” (Marajó. p.341). Coronel Coutinho “era dono daquele rio, daquela terra e daqueleshomens calados e sonolentos que, nos toldos das canoas, ou pelas vendas,esperavam a maré para içar as velas ou aguardavam quem lhes pagasse acachaça” (Marajó. p. 18). Coronel Coutinho era “dono daqueles camposimensos, dono das malhadas, dono dos jacarés, das marrecas, das onças,das cascavéis, dos tracajás e dos rios que cortavam suas terras”(Marajó. p. 336). O romance denuncia um sistema que ameaça asobrevivência de famílias inteiras que dependiam da pesca de anzol etarrafa, atividade vital para a região como meio e produto desubsistência, visto que a relação do povo marajoara com a pesca, que seimpõe pela própria geografia, é histórica. Neste ponto, os laços entreLiteratura e História se estreitam na medida em que os dados do romanceMarajó remetem à realidade registrada no discurso do vereador PaulinoPereira Lima que enfrenta o poder instituído com o seu Requerimento Apeloenviado ao Exmo Snr. Presidente da Câmara Municipal de Soure e aosSenhores Vereadores, presentes àquela sessão do dia 2 de agosto, de 1955.Dois discursos que registram o drama social das populações ribeirinhas,do Arquipélago do Marajó. As vozes de vários sujeitos – o autor, onarrador e o povo, este último, representado pelo vereador – cruzam-senos caminhos que apontam os problemas sociais do povo do Arquipélago.

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